O que caracteriza a Doença Bipolar é a presença de episódios maníacos ou hipomaníacos (como o nome indica, uma mania menos “marcada”). Isto afeta a vida da pessoa uma vez que é percebido facilmente por outros e traz consequências negativas importantes. Para compreendermos o que é a doença bipolar é importante definir bem dois conceitos:

Hipomania: o estado de ânimo da pessoa é persistentemente elevado, expansivo e irritável, ou seja, é claramente diferente do estado de ânimo normal e habitual da pessoa. Durante este período a pessoa demonstra:

    • Autoestima exagerada e sentimentos de grandiosidade

    • Diminuição da necessidade de dormir e agitação

    • Mais falador do que o habitual

    • Fuga de ideias e sentimento de que o pensamento está acelerado

    • Distração fácil

Mania: o estado de ânimo da pessoa é persistentemente elevado, expansivo e irritável, ou seja, é claramente diferente do estado de ânimo normal e habitual da pessoa, durante pelo menos 1 semana (ou menos, se for necessária hospitalização imediata). Durante este período a pessoa demonstra, para além dos sintomas de hipomania:

    • Realização de atividades que lhe dão prazer mas que podem ter consequências graves
    • Deterioração da função laboral e social, devido à alteração anímica, com eventual ocorrência de sintomas psicóticos (delírios, por exemplo)

Desta forma podemos distinguir os seguintes sintomas quando falamos em Transtorno Bipolar:

Sintomas anímicos: a característica fundamental destas pessoas é um estado de hiperatividade, inquietação e euforia. É normal que, misturados com estes estados de ânimo, surjam também sinais de abatimento e tristeza.

Sintomas motivacionais e de conduta: na fase maníaca, há uma inesgotável energia que diminui a necessidade de sono e a conduta fica alterada, podendo existir atividade sexual excessiva ou oferta de seus bens e da sua família a desconhecidos, por exemplo. Para além de não existir controlo de impulsos a pessoa também apresenta normalmente um descuido com a sua imagem.

Sintomas cognitivos: a pessoa tende a falar sem parar de tal forma que poderá ser incoerente e ter fuga de ideias (os pensamentos são mais rápidos do que a fala). Há uma alteração tal da autoestima que a pessoa pode chegar a ter ideias ou delírios de grandiosidade.

Sintomas físicos: aumento do apetite e diminuição do tempo de sono são frequentes.

Sintomas interpessoais: na fase maníaca a relação da pessoa com quem o rodeia pode ser difícil uma vez que tendem a ser intrometidos e controladores. As pessoas tornam-se sedutoras e enérgicas, excessivamente.

Tendo em conta os sintomas e as fases pelas quais o doente passa, podemos então definir os seguintes tipos de transtornos, dentro do espectro da Doença Bipolar:

Transtorno Bipolar I: estas pessoas apresentam ou apresentaram pelo menos uma vez na vida um episódio maníaco e assume-se que terão experimentado, ou experimentarão também, episódios depressivos.

Transtorno Bipolar II: neste caso, as pessoas apresentam vários episódios depressivos e hipomaníacos, mas não chegam a experimentar nenhum episódio maníaco. Por vezes o diagnóstico torna-se difícil, por ser também difícil diferenciar se o episódio de hipomania é de facto hipomaníaco, ou se constitui o seguimento de uma elevação do humor após um episódio depressivo.

Ciclotimia: a pessoa apresenta um padrão semelhante aos transtornos bipolares, sendo que em períodos de tempo curtos (2 a 6 dias), apresenta ciclos de sintomas depressivos intercalados com sintomas de hipomania. Normalmente predominam os sintomas depressivos durante esse período de tempo.