A Esquizofrenia é um transtorno mental grave e complexo, em que a pessoa experimenta perda do contacto com a realidade, acompanhada pela presença de alterações cognitivas, emocionais, da percepção, do pensamento e comportamento. A deterioração cognitiva pode estar de tal forma presente que a pessoa deixa de responder às suas necessidades de vida diária. Existem vários tipos de Esquizofrenia: paranóide, desorganizada, catatónica e residual.
A Esquizofrenia apresenta sintomas complexos e muito variados, entre os quais:
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Ideias Delirantes: são crenças erróneas que a pessoa tem relativamente ao contexto em que está inserido. Uma ideia delirante provoca na pessoa uma confiança inabalável de que esse delírio é real. Este tipo de crença pode levar a alterações emocionais, podendo a pessoa dedicar muito tempo a pensar nela. Existem delírios persecutórios, de controlo, de referência, de grandiosidade, místico-religiosos, de culpa ou pecado, somáticos ou extravagantes.
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Alucinações/experiências sensoriais: a pessoa tem alucinações que afetam os vários sentidos. Ou seja, pode ter alucinações auditivas que são as mais frequentes (vozes que falam entre si ou com o paciente, sons, ruídos…) ou visuais (pessoas, formas, cores que não existem), olfativas, gustativas e sensitivas.
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Sintomas motores e comportamento desorganizado: entre estes sintomas temos inibição ou agitação psicomotora, movimentos ritualistas, imobilidade, repetição de comportamento, etc. A pessoa muda de roupa e aparência, de comportamento social e sexual. Estes comportamentos podem também ser resultado não apenas da doença, mas também dos efeitos da medicação e das alucinações.
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Alterações do pensamento e linguagem: as alterações de pensamento na pessoa podem provocar empobrecimento da linguagem. Podem ocorrer descarrilamento ou fuga de ideias, incoerência e falta de lógica no discurso, neologismos (palavras novas), aumento da rapidez ou maior lentidão do discurso.
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Alterações da afetividade: a pessoa apresenta dificuldade em iniciar, manter ou concluir uma tarefa por falta de motivação, tendendo a dedicar-se a atividades mais passivas (como ver televisão por exemplo). A pessoa vai perdendo o prazer nas atividades que realiza e diminui o interesse por coisas que antes eram prazerosas para si. Como consequência há também diminuição da socialização. Por outro lado, a pessoa apresenta dificuldade em expressar emoções, verificando-se uma diminuição das expressões faciais e da linguagem corporal em geral. Evita o contacto visual direto ou mantém o olhar fixo e não adiciona tons à linguagem verbal.
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Afeto inapropriado: podem ter sintomas como angústia profunda, vazio e falta de empatia com outras pessoas. Por vezes, têm surgimento de sintomas repentinos e inexplicáveis.
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Para além da Esquizofrenia existem outros transtornos cujos sintomas podem ser semelhantes. Entre eles:
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Transtorno esquizoafetivo: é uma mistura de sintomas de transtorno afetivo (bipolar, por exemplo) e de sintomas de esquizofrenia. O prognóstico normalmente é melhor do que na esquizofrenia e pior do que em transtornos afetivos. É mais frequente em mulheres tal como a esquizofrenia.
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Transtornos delirantes: a pessoa apresenta delírios sistemáticos sendo que mantém a personalidade intacta e função bem conservada, sem outros sintomas esquizofrénicos. Normalmente começa nas fases intermédias ou avançadas da vida adulta e é ligeiramente mais frequente nas mulheres. Nas mulheres é frequente o delírio erotomaníaco e nos homens o delírio paranóide. Também é mais frequente em níveis socioeconómicos mais baixos.
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Transtorno esquizofreniforme: tem sintomas muito similares à esquizofrenia, mas esses sintomas duram menos tempo e não há necessariamente deterioração funcional. Normalmente a pessoa apresenta mais sintomas afetivos do que de esquizofrenia, o que traz melhor prognóstico à doença.
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Transtorno psicótico breve: caracteriza-se por alterações psicóticas com duração curta e cujos sintomas incluem comportamento anormal, confusão, desorientação e labilidade afetiva (a pessoa passa da exaltação à depressão em pouco tempo). Surge mais frequentemente em mulheres e entre os 20 e 35 anos.
- Transtornos da personalidade: Em geral não há sintomas psicóticos. Os mais importantes transtornos da personalidade são o transtorno esquizotípico, esquizoide, limite e paranóide.
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- Transtorno psicótico compartilhado: acontece quando duas ou mais pessoas partilham ideias delirantes devido a uma relação estreita com uma pessoa que apresenta o delírio previamente. Pode ter uma causa psicológica mas há também influencia genética, uma vez que normalmente afeta membros da mesma família e que dependem uns dos outros.

